Rio de Janeiro

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RJ-Rio de Janeiro
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PRECE DOS PAIS

Dedicado a todos os pais de hoje, ontem e amanhã, encarnados ou desencarnados, biológicos ou espirituais, presentes ou ausentes.

Pai nosso que estás nos céus, vela com carinho pelos pais que se dedicam e se esforçam, sofrem e pedem por seus filhos aqui na Terra…

Santificado seja o teu nome para que os filhos da carne possam agradecer a dádiva de poder ter a figura de um pai, ainda que desconhecido, para louvar…

Venha a nós o teu Reino, pois é dele que emana esse sentimento paternal, essa afeição especial que une pais e filhos…

Seja feita a tua vontade, agora e sempre, assim na Terra, entre os pais e os filhos que ainda desfrutam da oportunidade terrena, como no céu, onde os pais e os filhos que tu chamaste para o outro plano choram a saudade da distância momentânea em que
se encontram…

O pão nosso, de cada dia, dá-nos hoje e permite que ele nunca falte onde quer que haja um pai a buscar alimento para o corpo e o espírito de seus filhos…

Perdoa as nossas dívidas e dá entendimento aos nossos filhos para que eles também possam nos perdoar os erros de ontem e de hoje, assim como nós perdoamos aos nossos
devedores, especialmente os filhos queridos que tu, em tua infinita sabedoria, puseste em nosso caminho…

E não nos deixes cair em tentação, pois grande é a nossa fraqueza diante do ciúme e do egoísmo que o nosso sentimento de amor, ainda imperfeito, nos inspira, mas livra-nos de todo o mal, para que sejamos os pais que os nossos filhos esperam e necessitam para vencer as agruras desta vida e ganhar as bênçãos da verdadeira vida que está por vir…

Pois teu é o Reino para onde devemos conduzir nossos filhos, o Poder no qual devemos ensiná-los a ter fé e a Glória a que devemos, pais e filhos, louvar e agradecer, para todo o sempre…

Que assim seja, Senhor, para que todos nós, os pais da Terra, lembremo-nos sempre do compromisso assumido contigo e não abandonemos ao relento espiritual os filhos que são teus, mas que achaste por bem confiar aos nossos cuidados…

Graças a Ti!

Autor espiritual: não identificado.
Médium: Maísa Intelisano (agosto de 1993)
Acervo do Leal: G:\#1_Leal_AMD2\#WordPerfect\2003080714.04y

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São Jorge

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São Jorge

RIO – A fé em São Jorge virou uma disputa entre religiosos de diferentes crenças, no Centro da Cidade, nesta quinta-feira, e por pouco não se transformou em confronto. No início da tarde, um grupo de 200 umbandistas do templo espírita Ogun Megê protestou contra o que acusou ser intolerância religiosa por parte da Igreja Católica. Eles contaram que foram impedidos de passar com uma carreata nas proximidades da Igreja de São Jorge, na Praça da República, pelo vice-ministro da igreja, padre Marcos Rogério Ventura, apesar de terem autorização da Polícia Militar e dos Bombeiros para a realização do evento.

Já o padre explicou que a carreata não poderia atravessar a missa, que está sendo realizada do lado de fora da igreja, na Avenida Presidente Vargas, em razão da multidão de fiéis que se aglomeram no local. Impedidos de atravessar a avenida, os umbandistas se refugiram no Campo de Santana, onde realizam seu culto em homenagem ao santo, bem de frente à igreja.
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Fonte:
http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/04/23/grupos-religiosos-de-crencas-distintas-disputam-espaco-no-centro-por-sao-jorge-755399413.asp
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Umbanda

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Umbanda

por Rubem César Fernandes

As primeiras informações registradas sobre a Umbanda datam dos anos 20 deste século e vêm de Niterói, no Rio de Janeiro, Estado onde, em 1941, organizou-se o Primeiro Congresso do Espiritismo de Umbanda.

Estas primeiras notícias, no entanto, faziam já menção à “Macumba”, no intuito de diferenciar-se dela, denotando, portanto, a pré-existência de práticas afins. Múltiplas iniciativas, livres de controles hierárquicos, potencializavam a comunicação entre elementos do catolicismo, do Espiritismo Kardecista e das tradições afro-brasileiras. Uma nova linhagem religiosa emergiu deste turbilhão simbólico, apresentando-se dividida, contudo, entre os nomes de “Umbanda” e “Quimbanda” ou, mais vulgarmente, “Macumba”.

Embora compartilhando um mesmo conjunto de crenças, estes nomes alternativos indicam uma divisão de sentido. Supostamente, a Umbanda trabalharia “para o bem”, enquanto a Quimbanda se distinguiria pela sua intenção de trabalhar “para o mal”. Esta é uma interpretação simplista, no entanto, pois a ambivalência entre o bem e o mal parece ser, na verdade, característica dos fundamentos míticos desta corrente religiosa. Concebe-se inserida num ambiente cósmico dividido entre diversas facções que se relacionam através de ataques e defesas místicas. Como ocorre nas disputas de amor e noutras situações competitivas, o bem de uma parte pode ser o mal de outra, e vice-versa.

A mitologia umbandista tem um claro sentido hierarquizante. As entidades religiosas distribuem-se por sete “Linhas”, comandadas por um orixá ou santo católico. As linhas subdividem-se em “Falanges” e “Legiões”, pelas quais distribuem-se espíritos desencarnados em vários estágios de evolução. O altar principal, chamado “Congá”, costuma ser enfeitado com uma grande quantidade de imagens e objetos, ilustrando a complexidade do panteon umbandista. Estes altares podem ter imagens de Cristo, o Guia do Terreiro, Nossa Senhora, santos como São Lázaro, São Jorge, Cosme e Damião, orixás, pretos velhos, caboclos, velas, colares, flores e por vezes ícones cívicos, como a bandeira nacional. A Umbanda surgiu no entre guerras, momento de forte afirmação do Estado nacional, e se assume como religião patriótica.

O culto é feito numa “Gira”, composta de música e dança sagradas. Os atabaques marcam o ritmo, os médiuns cantam o “ponto” sob a liderança da Mãe ou Pai de Santo, dançam em roda, e recebem os guias espirituais, funcionando como seus “cavalos” ou “aparelhos”. Além de se expressarem dançando a sua energia vital, como ocorre no Candomblé, os guias da Umbanda se apresentam para dar conselhos aos fiéis que se aproximam. Orientam os fiéis e purificam-nos através de “passes”, protegendo-os dos ataques místicos de que são vítimas.

A Mãe e algumas filhas de santo mais desenvolvidas costumam receber fiéis para consultas, o que fazem incorporadas pelos seus guias. Os terreiros de Umbanda tornam-se, assim, centros de avaliação e de resolução de uma infinidade de pequenos conflitos que afligem as pessoas em seu cotidiano. São especialistas na identificação das causas dos infortúnios, profundos conhecedores da psicologia social local. Ajudam a conformá-la, inclusive, emprestando-lhe um sentido maior. As competições cotidianas, cujos resultados desiguais semeiam a inveja e o ressentimento, resultam na produção de feitiços, ou mesmo na simples geração de negatividades que fazem mal. O povo da Umbanda (dir-se-ia o povo brasileiro, em larga escala) leva a sério o “mau olhado”.

Invenção cultural notável, a Umbanda traz, para a interpretação e resolução de conflitos, personagens “marginais” da hierarquia simbólica dominante: caboclos afoitos, que representam os espaços não domesticados das matas; pretos velhos, escravos já à margem do trabalho, que têm a sabedoria realista de uma vida sofrida; exus e pombas giras, identificados a personagens das ruas, que não se escondem atrás de máscaras sociais bem comportadas e que se movem com facilidade pelos meandros perversos dos conflitos humanos; crianças, que ainda não entraram na idade da razão. São estes os guias para a proteção e o aconselhamento. Distantes das autoridades oficiais, sejam seculares ou sagradas, possuem os poderes que se acumulam nas margens das estruturas burocráticas e simbólicas. São poderes usualmente descartados pelas ideologias oficiais, que encontram abrigo na Umbanda e podem, através dela, dar um sentido positivo à sua experiência e ao seu destino.
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Autor:
Rubem César Fernandes formou-se em História, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez mestrado em Filosofia, na Universidade de Varsóvia (Polônia), e tornou-se PhD na Universidade de Colúmbia (Nova York). Foi professor na Universidade de Colúmbia, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no Museu Nacional (Rio de Janeiro), na UFRJ e na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). É secretário executivo do Instituto de Estudos da Religião (ISER) e secretário executivo do Viva Rio. Autor, entre outros, de Romarias da Paixão (Rio de Janeiro, Rocco, 1995), Privado Porém Público (Rio de Janeiro, Relume Dumará, 1995), Vocabulário de Idéias Passadas (São Paulo, Relume Dumará, 1995) e Novo Nascimento – Os Evangélicos em Casa, na Igreja e na Política (no prelo).
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Fonte:
http://www2mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/artecult/religiao/umbanda/index.htm
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Publicado em SinapsesLinks:
http://sinapseslinks.blogspot.com/
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