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Padre, você é feliz?

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Padre: você é feliz?

As recentes revelações sobre os casos de paternidade do ex-bispo católico e atual presidente do Paraguai, Fernando Lugo, lançam novamente na ordem do dia o debate sobre o celibato sacerdotal. Além disso, na pauta da reunião da CNBB, em São Paulo, nestes dias, está em destaque o tema da elaboração das novas diretrizes para a formação dos futuros presbíteros. O texto está estruturado em três grandes partes, abordando os fundamentos da formação dos padres, o período do seminário e a formação permanente. As novas diretrizes continuam contemplando a formação do presbítero segundo as cinco dimensões: humano-afetiva, comunitária, espiritual, intelectual e pastoral. Destaca-se a ligação entre todas elas e a consideração do presbítero como pessoa humana, ressaltando-se a sua dimensão humano-afetiva, com o acento de que esta sempre necessita se completar com as demais.

Sabemos que há muito tempo a Igreja vem sofrendo uma enxurrada de críticas a respeito do celibato sacerdotal até porque em nosso mundo a revolução sexual dos anos 60 modificou tremendamente uma série de princípios e fez de fato uma revolução nos costumes e na moral sexual.

Até então a sexualidade humana era vista dentro de padrões rígidos, fechados, dominada por uma moral que considerava o sexo tabu e onde parecia que a religião ou os preceitos religiosos reforçavam ainda mais essa ideia. Embalada por tantas mudanças, resumidas na famosa expressão “sexo, drogas e rock’n’roll”, a sociedade desde então não parou mais de mexer neste tema. E chegamos hoje a um outro extremo de tanta exposição e banalização que parece que o assunto “sexualidade humana”, paradoxalmente, está no mesmo extremo, ou seja, continua sendo um tabu.

Mas o que nos interessa aqui é exatamente ir às causas desta situação tão conturbada que envolve a sexualidade humana sem cairmos em soluções mágicas, modismos ou coisa parecida que pouco possa acrescentar à matéria. Tampouco aqui nos manifestamos para defender ou encobrir quem errou, afinal de contas, muitas vezes ouvimos em nossos ambientes de Igreja a famosa expressão “a Igreja é santa e pecadora”, para justificar os erros dos próprios cristãos, dos seus líderes, enfim, da Igreja. Mas esquecemos que o documento do Concílio Ecumênico Vaticano II Lumen Gentium assim escreve: “A Igreja é santa e necessitada de conversão”. É uma concepção diferente, porque nos mostra que não basta chorar o leite derramado, é preciso realmente conversão, mudança de vida, correção de rota quando se está no caminho errado. Não bastam justificativas vazias e desculpas esfarrapadas. Para quem quer seguir nos passos do Mestre e Senhor, Jesus Cristo, a caminhada é exigente, porque os valores a serem vividos realmente configuram uma transformação profunda.

Na verdade, tanto em relação ao ministério ordenado nos seus três graus – episcopado, presbiterado e diaconado – quanto no que diz respeito ao sacramento do matrimônio, quando tocamos no problema de infidelidade das pessoas nestes sacramentos (chamados de serviço), talvez não nos demos conta, mas a causa do problema nunca está relacionada diretamente aos ideais que são traídos nestas vocações, mas há um âmbito anterior que tanto para religiosos quanto para leigos não está sendo percebido adequadamente. Hoje, infelizmente, falta-nos a iniciação cristã. A secularização da sociedade, o avanço de tantas ideologias lançando o olhar humano só para o âmbito imanente da vida, a perda da tradição cristã, o desmantelamento da família, uma catequese pré-eucarística que não forma o adulto na fé e tantas outras deficiências na formação humana, cristã, espiritual e no quadro de valores, tudo isso tem deixado as pessoas numa verdadeira orfandade humana e espiritual, ou mais especificamente numa carência humano-afetiva.

Já diziam os medievais que “a graça supõe a natureza”, não adianta querer empurrar goela abaixo um ideal religioso ou seja qual for. Não se faz um cristão e um padre “a facão”. Como também não se forma um cidadão de bem da noite para o dia. Em nossa realidade, hoje, não há como fugir da tarefa de formar a pessoa humana, o cristão e aí, sim, o vocacionado específico, seja ele para o ministério ordenado, para a vida consagrada ou para a vivência como fiel cristão leigo.

Nesta formação cristã das pessoas e na dos futuros padres, não adianta encobrirmos o problema, ou melhor, a solução. Teremos que passar por um processo profundo e forte de iniciação cristã.

O verdadeiro problema não está na ponta, na consequência, como quando ouvimos a toda hora das pessoas o velho e batido chavão “se o padre casasse, nada desses problemas aconteceria”. Melhor nos corrigirmos na base e na origem de nossa formação humana e cristã enquanto a misericórdia divina nos dá esta chance. Aplicado esse processo, aí, sim, se poderá afirmar: o padre é uma pessoa feliz! E não só ele, como todo cristão e todo vocacionado.

Rogério Flores
Pároco da Igreja Nossa Senhora da Conceição, de Viamão
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Fonte:
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2488472.xml&template=3898.dwt&edition=12189&section=1012
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Celibato

CELIBATO

Recentemente, a demissão de um padre casado pela arquidiocese de Goiânia pôs em foco a questão do celibato de sacerdotes católicos e foi tema de debates entre a população.

O termo “celibato” tem sua origem no latim `caelibatus´ e designa a condição do adulto que não se casou e é sexualmente abstinente.

>> Definição do “iDicionário Aulete”

CELIBATO (ce.li.ba.to)

Substantive masculino

1 Condição do adulto que não se casou bras. ; SOLTEIRISMO.

adjetivo.

2 Solteiro, celibatário

adjetivo.

3 Ref. ao celibato (1); próprio de quem é solteiro, não tem relações conjugais, ou, p.ext., de quem vive em isolamento, reclusão (vida celibata)

4 Caracterizado por ausência de erotismo, de contato ou intercurso sexual (paixão, amizade celibata)

5 Fig. Inocente, sem malícia ou má-fé (intenções celibatas)

[Formação: Do latim `caelibatus´.]
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http://www.aulete.com.br
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