Mãe Solteira

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Mãe Solteira
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Em carinhosa carta, você afirma que ninguém tem se importado com a sua pessoa, alegando que tal fato talvez se dê pelo motivo de você ser negra e mãe solteira.

Por certo você se esquece de que a misericórdia divina antes mesmo de colocá-la na Terra…

Providenciou o oxigênio para a atmosfera…

Criou as fontes, os rios e os oceanos…

Planejou e colocou o sol como fonte mantenedora da vida…

Plantou os campos vestindo de verde e salpicando de flores a Terra…

Além do mais toda essa imensidão do solo onde você pisa e planta foi criteriosamente calculado para sustentar e alimentar uma grande população, onde você também foi incluída.

E quanto a sua cor, confessamos nossa incapacidade para determinar onde se encontra maior espetáculo de grandeza, se… num dia de claridades solares ou em uma noite repleta de estrelas…

Temos encontrado nos caminhos do mundo, tantos corações que se intitulam bafejados pela chamada sorte, envoltos em luxuosas redomas de cristais, tiritando de frio, causado pelas próprias frivolidades, enquanto outros, num panorama totalmente diverso, estabelecem tamanha simbiose com outras criaturas, sem que jamais lhes falte o aquecimento amigo, nas trilhas da existência.

Fisicamente a carranca e o sorriso ocupam a mesma área, entretanto, entre ambos há considerável distancia, se considerarmos as atmosferas a que distintamente se entregaram. Quando nos colocamos em determinada estação do ano, fatalmente conviveremos ao lado daqueles que se demoram nessa mesma estação.

Façamos a nossa escolha, vivamos a eterna primavera !

Sobre a sua condição de mãe solteira, confessamos que temos lamentado muito, não pelas mães solteiras que resolveram assumir com as limitadas forças de dois braços, a tarefa que quatro desempenhariam mais efetivamente, mas, sentimos por aquelas nossas irmãs infelizes que não souberam guardar o resultado de uma noite escura e irracional e abortaram a sublime oportunidade de redenção, que lhes pudesse servir de roteiro amigo, para a estrada da vida e da consciência.
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Autor:
Espírito José Grosso
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Psicografia:
Alvaro Basile Portughesi
São Paulo-SP

O Inverno

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20130317_O_Inverno
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O Inverno
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Era uma noite de inverno e as pessoas reviravam os seus guarda roupas, na busca dos velhos agasalhos, que ficaram em desuso por um ano. Procurei também por alguns acolchoados guardados na parte superior do armário. Havia os tirado dali, para que tal volume, não ocupasse espaços onde se encontravam os travesseiros utilizados, todos os dias, ou melhor, todas as noites.

Precisava me proteger, pois o serviço de meteorologia estava prevendo para a madrugada que viria, a chegada do maior frio que até então se instalara neste ano. Teria de providenciar igualmente, cobertor e edredom que agasalhasse a minha netinha, sim, a menina Suelen de apenas oito aninhos.

Estava me sentindo feliz pelos recursos que possuía para enfrentar a intempérie. Faria um achocolatado, daquele chocolate bem quentinho, que as pessoas bem aquinhoadas, tomam durante as noites de inverno, junto à lareira.

22 horas e o frio viera inclemente. Depois de todas as providências, inclusive de haver agasalhado convenientemente a minha adorada netinha, me escondi gostosamente debaixo dos cobertores.

Quando a temperatura já se tornava bem agradável, ouvi algumas palmas vindas do portão. Pensei: Sair daqui agora, neste momento em que o lençol se aquecera, seria um verdadeiro suicídio. Ah estava bom demais! Por outro lado, deixar de atender a porta seria covardia. As fracas palmas se repetiram.

Meio contra a vontade levantei-me, e não gostei da cena que acabava de ver: Duas meninas com aparências de no máximo 12 anos, uma delas para minha revolta trazia um nenê ao colo. Irritado antes que elas me pedissem algo, sim percebi pelos frangalhos de suas vestes que esmolavam, adiantei-me:

– Vocês não deveriam jamais valerem-se de um nenê para emocionar as pessoas, da próxima vez, deixem o irmãozinho em casa, protegido desse frio rigoroso!

Entrei e me encaminhei à cozinha a cata de algo. Ao retornar, confesso que chorei ao presenciar a triste cena: Uma das meninas, sentada ao meio fio da calçada, mantinha o nenê aconchegado ao peito enquanto o amamentava.

Álvaro Basile Portughesi
http://www.edicoesclareon.com
Ano de 2004