Solidão

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Entender a solidão

[Lucy Dias Ramos]
eledias@terra.com.br

Sofrendo a dor da perda, quando a morte arrebata nossos
amores e não os podemos mais alcançar em nossa dimensão de
vida, busquemos nas asas da prece o enlevo e a resignação para
que nossa alma possa altear nos cimos da esperança isenta de
quaisquer sentimentos de revolta e desespero.

Em momentos de solidão, evocando os sonhos e a felicidade
de tempos passados nos quedamos silenciosos e tristes, o
que é natural em nosso estágio evolutivo, entretanto, teremos
que deixar este estado melancólico e buscar no entendimento
das leis que regem todo o universo, a motivação maior de nossa
existência, o porquê do sofrimento e deste insulamento.

Somente nos refolhos de nossa alma, na contemplação de
nosso eu mais íntimo é que encontraremos o refúgio seguro
para entender o sentido existencial que nos anima e através da
prece, a energia benfazeja que reerga nosso ser, ajudando-nos
a prosseguir sem esmorecimento.

Entender a vida para que possamos entender a morte, afastando
de nós a dor, o desencanto e assim, podermos alçar
nossa mente à compreensão maior de nossos compromissos e
deveres.

Estando a sós, frente a frente com nossos anseios e
conflitos, buscar o melhor entendimento e soluções para compreender o que se passa neste mundo quase irreal que criamos
em momentos de reflexões mais profundas, não totalmente explorado
nem conhecido por nós mesmos.

“Solidão é reajustamento das engrenagens do sentimento; lubrificante fino sobre as peças da emoção que o abuso enferrujou… Otempo e a constância do esforço resolvem a questão, perde o valor deprimente de que se reveste no começo, para facultar júbilo e paz interior pelos logros conseguidos.

”Nestes instantes em que nos quedamos a sós, sem nos
deixar levar pela descrença e a autopiedade, entendendo que
o tesouro do tempo nos é confiado para servir, amealhar recursos
para nosso crescimento espiritual e assim podermos nos reabastecer de energias para prosseguir no embate, no
aprimoramento moral a que estamos destinados.

Os que estão destinados a servir na sementeira do bem,
se nutrem nestes momentos de silêncio interior para buscar o
suporte necessário, na recomposição das forças, mas não se
deixam ficar no vale da contemplação, como nos recomenda o
benfeitor espiritual, Emmanuel:
“Procuremos as águas vivas da prece para lenir o coração, mas
não nos esqueçamos de acionar nossos sentimentos, raciocínios e braços, no progresso e aperfeiçoamento de nós mesmos, de todos e de tudo, compreendendo que Jesus reclama obreiros diligentes para a edificação de seu Reino em toda a Terra.”

São inúmeras as advertências dos amigos espirituais em
torno da necessidade do autoconhecimento, de nos refugiarmos
dentro de nós mesmos sempre que a vida nos impuser
as dores da alma, para o amplo entendimento diante da incompreensão, dos infortúnios e dissabores porque somente aí,
neste refúgio de nosso ser, poderemos haurir forças e entender
melhor os desígnios de Deus.

Allan Kardec, indaga aos Espíritos Superiores, na questão
924, de O Livro dos Espíritos:
“Há males que indepedem da maneira de agir e que atingem o
homem mais justo. Haverá algum meio de ele se preservar deles?
R- O homem deve resignar-se a sofrê-los sem murmurar, se quer progredir. Entretanto, sempre encontra consolação na própria
consciência, que lhe dá a esperança de um futuro melhor, desde que faça o que é preciso fazê-lo para obtê-lo.”

Não seria esta advertência dos benfeitores espirituais,
concitando-nos a buscar o entendimento maior na própria
consciência, através da auto-análise, do ajustamento e do
equilíbrio de nossos sentimentos em momentos de contemplação
e prece?
O que é preciso, então, é entender com maior profundidade
o motivo de estarmos aqui, neste momento, mesmo que a solidão ronde nossos passos tentando nos desencorajar ante os deveres de cada dia.

E se conseguirmos, como diz a poesia, entender a solidão, sairemos vitoriosos nestes momentos de reflexão e amadurecimento, porque teremos a esperança de um futuro melhor, se fizermos o que é preciso para obtê-lo e principalmente merecer esta conquista espiritual.

1 FRANCO, Divaldo P. Loucura e Obsessão. P. 294
(Adaptado do livro Maior que a vida, editado pela FEB)

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