Comunicar-se bem

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COMUNICAR-SE BEM

Uma questão de humildade

Por estranho que pareça a alguns, a língua e a linguagem, consideradas nos seus diversos níveis de registros, constitui-se em lamentável preconceito. E isso ocorre de ambas as partes dos interlocutores. Nos dominantes da língua culta, ou padrão, o preconceito é sutil, assume ares de tolerância, mas na verdade exclui.

Certamente quem se propõe a verticalizar suas ambições profissionais ou sociais, deve estar consciente da necessidade explícita ou implícita de praticar a norma culta para instrumentalizar seu discurso.

Em todos os países existe a língua oficial, utilizada para comunicações nacionais, internacionais ou ainda regionais, no âmbito interno de cada país. Isso prende-se ao fato de que , entre tantas diversidades lingüísticas inerentes ao próprio fenômeno comunicativo, faz-se necessário estabelecer uma uniformidade no código padrão ou oficial, como garantia de uma decodificação com o máximo de fidelidade, até quando passada para outras línguas, e portanto, unificando o entendimento, possibilitado pela mensagem assim construída.

Em termos de fala, faz-se necessário distinguir-se quem é o interlocutor, ouvi-lo falar, para que se escolha o nível de fala a ser usado. A penalidade, ao desprezar-se essa avaliação, é não ser compreendido. Essa realidade está muito mais presente do que se possa imaginar. Em Nova York há um grande edifício com lojas de departamentos. Em cada andar, utiliza-se um tipo de linguagem, com profissionais treinados para atender aos clientes praticantes de falas diferenciadas. O objetivo é comunicar-se para poder vender. Concluiu-se que o cliente não era bem atendido – e portanto não voltava – porque seu desejo não era compreendido…

Depreende-se, portanto, não tratar-se de falar certo ou errado, mas de adequar-se ao código lingüístico ou nível de fala, como requerem determinadas situações.

Por outro lado, quando se admite a norma culta como correta e as demais erradas, cria-se grande desconforto para quem se comunica de maneira diferenciada. A tendência dos “iluminados” é de desprezar, vetar e pior: corrigir. Só essa afirmação mereceria um artigo à parte . Essa atitude, não raro, emudece o falante, que se envergonha e não mais se expõe. Isso vale para os aprendizes de línguas estrangeiras. Dependendo das risadas, o trauma permanecerá para sempre.

O mal estar gerado pela falta de unificação de um código lingüístico, cria, por parte dos puristas da língua, uma atitude preconceituosa. A pessoa que fala com o “r” enrolado, já é taxada de caipira, embora o seu saber seja tão valioso quanto o de qualquer outro, como já afirmava o Mestre Paulo Freire. Mas, por via das dúvidas, o sistema o exclui. Conhecendo essas nuances, as pessoas podem ser mais cuidadosas ao se dirigirem a determinados interlocutores.

Contudo, focando agora as pessoas que pretendem, como já foi dito, galgar a verticalização de seus propósitos profissionais, passando pelos acadêmicos, faz-se necessário a conscientização de que as exigências são grandes, sim, mas absolutamente necessárias. O que pode ser tolerável e admissível em outros níveis de comunicação, não tem concessões em trabalhos científicos, oficiais, técnicos , empresariais ou para palestrantes. O texto, tanto como a explanação oral deve ser claro, objetivo, e vocabulário compatível, entre outros quesitos.

Entra aí a humildade. Nenhum escrito exime-se de criteriosa revisão, feita por profissional capaz e sobretudo não envolvido na produção original. Um segundo olhar, sem a pressão do envolvimento, poderá observar falhas de origens diversas, adequar a comunicação, sugerir terminologias mais indicadas, enfim, aprimorar o texto, dando-lhe cunho
de acervo de capital intelectual.

Essa prática deveria ser mais utilizada pelos autores de quaisquer produções escritas, para as mais diversas finalidades. Quando o autor assina, a responsabilidade lhe pertence. Não há dúvida de que a boa redação diferencia quem a faz com critério, pois seu resultado sinalizará, sem dúvida, a capacidade de quem utilizou-se desse recurso. Isso vale também para a oralidade. Aplica-se para qualquer profissional ou não, que utilize esses recursos, especialmente para estudantes de todos os níveis e, não é demais repetir, para trabalhos escritos de qualquer categoria,mas, especialmente acadêmicos. Aqui, a humildade pode ser a chave do sucesso. Aprendizado e aprimoramento são a base do esforço construtivo, exigência muito presente nos reclamos da atualidade.

Tentando estabelecer um link entre o arrazoado feito preliminarmente com referência aos problemas da diversidade de comunicação, que ocorre notadamente entre fala e escrita , vale lembrar que na Doutrina Espírita, muitos são ao palestrantes, nas mais variadas Casas Doutrinárias. Seria de bom alvitre, que o leitor das despretenciosas colocações aqui feitas, informe-se sobre as características do seu público alvo, para melhor fazer-se compreender, comunicando-se bem.

Lenita Maria Costa de Almeida
Pindamonhangaba – SP
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Texto disponível em PDF. Click aqui. Grato.
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Um comentário sobre “Comunicar-se bem

  1. Parabénizo-a pelo texto claro, conciso e objetivo. os alunos do Curso de formação de professores e Pedagogia da Universidade São Judas Tadeu irão utilizar em seus projetos. Continue escrevendo textos como esse para a melhoria de qualidade da educação na formação de nossos alunos e também da nossa sociedade . Abraços ! Prof. Mestre em educação Dinéia Hypolitto- USJT e SEE do Estado de São Paulo

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