O Elogio do Silêncio

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O Elogio do Silêncio

Silêncio é recordar que toda palavra tem um hoje e um amanhã, e que palavras ditas em um momento repercutem incalculadamente no futuro.

Silêncio é lembrar que a palavra proferida não tem o seu próprio significado nem a intenção com que se pronuncia, mas à maneira que compreende quem a escuta.

Silêncio é reconhecer que os conflitos se resolvem melhor na ausência de palavras e que o tempo influi muito mais que o falar.

Silêncio é reprimir a injúria que iria escapar por entre os lábios e esquecer àquelas que nos feriram.

Silêncio é ter a sabedoria de que em apenas uma hora podemos desfazer um juízo cruel feito à alguém ou à algum fato.

Silêncio é lembrar que repetir o que outros dizem é formar uma avalanche que irá devassar a reputação e tranquilidade dos demais.

Silêncio é não queixar-se para não aumentar as penas dos outros.

Silêncio é dizer FIZ, e não, FAREI.

Silêncio é recordar a energia necessária dispendida para que a palavra dita se transforme na idéia preconcebida.

Silêncio è não deixar pela metade uma idéia ou plano, não ler uma obra em seu rascunho e nem dar como pronto apenas um esboço.

Silêncio é a raiz e por isso sustenta.

Silêncio é a sálvia e por isso alimenta.

Silêncio é lembrar que nosso coração é um relicário para as nossas esperanças, e um coração frágil e dolorido pode guardar feridas e cicatrizes.

Silêncio é o casulo onde a larva se transformará em borboleta e também a nuvem onde se forma o raio.

Silêncio é realizar-se, seguir o próprio caminho, assinar sua própria obra, cumprir seu próprio destino.

Silêncio é meditar, medir, pesar, aquilatar, ponderar.

Silêncio é a palavra justa, a intenção e promessa clara, o entusiasmo refreado e perseverança no objetivo.

Silêncio é ser um só e não um tambor que ressoa o batuque dos dedos.

Silêncio é ter um só coração, um só cérebro e ser firme em suas posições.

Silêncio é falar com Deus antes de falar com os homens para não se arrepender depois das palavras proferidas.

Silêncio é dialogar com sua própria dor e contê-la até que se transforme em sorrisos, em recitais ou em uma canção.

Silêncio é o fim, o repouso do sonhar, o deleite da morte onde tudo se purifica e se restaura, onde tudo se iguala e se perdoa. AD
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Colaboração:
Sérgio Goldstein
Campos do Jordão-SP
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Publicado em: SinapsesLinks
http://sinapseslinks.blogspot.com/
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