Matrimônio Sacerdotal

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Entre Bento e Paulo

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A forte resistência de Bento 16 ao direito de padres se casarem ignora a radical mudança de costumes dos últimos cem anos
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WALTER CENEVIVA

O TEMA VEM , em via indireta, dos milhões de fiéis que homenagearam o Círio de Nazaré e a padroeira do Brasil no curso deste mês. Eles prestaram o respeito, dos que têm fé, à mãe do Cristo, em um tempo no qual o catolicismo anda abalado pelos escândalos da pedofilia, entre comportamentos irregulares de seus sacerdotes.

A forte resistência de Bento 16 ao direito de padres se casarem ignora a radical transformação de costumes dos últimos cem anos. Traz à memória os séculos de oposição ao abandono do dogma de que o sol girava ao redor da Terra. A permissão do casamento teria duplo efeito benéfico: acolheria o retorno da solução bíblica e contribuiria para diminuir abusos contra menores.

Na busca desse efeito encontra-se o apoio do apóstolo São Paulo, que foi para os cristãos o arauto original dos ensinamentos do Cristo.

Apesar da insuficiência de seus dados pessoais, é sabido que se notabilizou por suas cartas (as epístolas do Novo Testamento). Uma parte delas teve a autenticidade reconhecida pelos doutores do catolicismo, entre as quais a primeira endereçada a Timóteo. O pontífice contribuiria para a adequação do pensamento católico ao padrão de comportamento atual se lhe desse atenção para admitir o matrimônio sacerdotal, forma segura de ajuste à doutrina paulina e de redutor da delituosidade sexual por padres.

Colho a lição de Paulo em seis edições de textos bíblicos, aceitos pela Igreja Católica, com variações próprias de traduções diferentes. São referidas adiante, apenas no essencial do terceiro capítulo da carta. Elas falam por si mesmas. Indico, em cada caso, a versão entre aspas, só a primeira em maior extensão.

São elas:

1ª – Bíblia em tradução ecumênica, Edições Loyola, 1995: “O epíscopo deve ser irrepreensível, esposo de uma só mulher, sóbrio, ponderado, de maneiras corretas, hospitaleiro, capaz para ensinar, nem dado ao vinho, nem briguento, porém, manso”;

2ª – “Bíblia de Jerusalém”, Novo Testamento, Edições Paulinas, 1976: “Se alguém aspira ao episcopado, boa obra deseja. É preciso, porém, que o epíscopo seja irrepreensível, esposo de uma única mulher…”;

3ª – Bíblia Sagrada, Edições Paulinas, 1966: “O episcopado, deseja uma obra boa. É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, que tenha esposado uma só mulher…”;

4ª – Novo Testamento, 1938, com “nihil obstat”, sem indicação de editora: “Importa que o pastor seja irrepreensível, casado só uma vez”;

5ª – Bíblia Sagrada, Edições Paulinas, 1971: “É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, que tenha esposado uma só mulher…”;

6ª – Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Sociedade Bíblica Católica Internacional e Paulus, 1995: “É certo que se alguém aspira a um cargo de direção, está aspirando a uma coisa nobre. É preciso, porém, que o dirigente seja irrepreensível, esposo de uma única mulher…”.

É evidente que o sacerdote casado ocupará parte de seu tempo com a família. É certo que a pedofilia não será extirpada de vez com o matrimônio. Parece certo, entretanto, que essa mancha será substancialmente reduzida, com a liberdade do casamento. Será bom para o direito e para a religião, em capítulo no qual Paulo tem mais autoridade que Bento.
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Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2410200906.htm
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Publicado em: Sinapseslinks
http://sinapseslinks.blogspot.com/
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As 7 maravilhas do mundo

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As 7 maravilhas do mundo

1. As Pirâmides do Egito
2. Os Jardins da Babilônia
3. O Templo de Artemis em Ephesus
4. A Estátua de Zeus em Olympia
5. O Mausoléu em Halicarnassus
6. O Colosso de Rodes
7. O Farol de Alexandria
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As Sete Maravilhas do Mundo compreendem as grandes realizações da tecnologia e arquitetura do passado de acordo com os autores Gregos e Romanos.
Esta relação pouco mudou desde de seu surgimento no ano 130 a.C.
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Bibliography: Berthold, Richard M., Rhodes in the Hellenistic Age (1984); Clayton, Peter, and Price, Martin, eds., The Seven Wonders of the Ancient World (1988; repr. 1990); Cottrell, Leonard, Wonders of Antiquity (1959); Dinsmoor, W. B., The Architecture of Ancient Greece, rev. ed. (1950; repr. 1975); Fraser, Peter Marshall, Ptolemaic Alexandria, 3 vols. (1972; repr. 1984); Gruben, Gottfried, and Berve, Helmut, Greek Temples, Theatres, and Shrines (1963); Hodges, Peter, How the Pyramids Were Built (1989); MacKendrick, Paul, The Greek Stones Speak, 2d ed. (1983); Muller, Artur, The Seven Wonders of the World: Five Thousand Years of Culture and History in the Ancient World, trans. by David Ash (1966); Oates, Joan, Babylon (1986)
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