Ciência e Liberdade

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Ciência e liberdade

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Nunca se deve aceitar algo só porque foi dito por uma autoridade
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Já que esta coluna cai na véspera do dia da Independência, achei oportuno revisitar um tema que está sempre presente na vida da gente: a questão da liberdade. Claro que, nestas breves linhas, eu não teria a pretensão de apresentar muitos pensamentos profundos sobre o que significa ser livre. Convido apenas os leitores a uma reflexão, iluminados, como sempre, pela luz da ciência.

Quando era garoto, gostava muito de citar a seguinte frase: “Ser livre é poder escolher ao que se prender”. Outra versão é: “Quanto mais chaves você carrega no bolso, menos livre você é”. Não há dúvida de que a primeira é mais filosófica. (Acho que é atribuída, talvez erroneamente, ao filósofo francês Jean-Paul Sartre.) Mas ambas dizem algo de semelhante: que liberdade e escolha andam de mãos dadas.

Existem, certamente, situações em que isso não é verdade: pessoas “presas” não por terem cometido algum crime, mas por serem aprisionadas por alguma ideologia que lhes é imposta. Por exemplo, as crianças que nascem em famílias ultrarreligiosas nunca têm a opção de refletir sobre os valores que lhes são impostos. Mesmo sem carregar chaves, estão presas até crescerem o suficiente para poder (ou não) se rebelar. O mesmo ocorre com os indivíduos que vivem em regimes políticos totalitários, onde a “verdade” é controlada pelo Estado.

Ou seja, a frase “ser livre é poder escolher ao que se prender” pressupõe que o indivíduo tem a liberdade de escolha. Isso nem sempre é verdade. Para sermos livres, precisamos ter livre acesso à informação. Só assim teremos o privilégio de poder escolher ao que vamos nos prender.

Daí o papel fundamental da educação, contanto que livre de censuras ideológicas. Já em torno de 50 a.C., o poeta romano Lucrécio celebrava a importância da educação na liberdade das pessoas. Sua preocupação era com a excessiva superstição dos romanos, que atribuíam tudo o que ocorria à ação de algum deus. Consequentemente, a maioria da população vivia aterrorizada. Só aqueles que usam a razão para desvendar o porquê das coisas podem de fato ser livres, dizia.

Só quem reflete sobre as causas das coisas, em vez de atribuí-las cegamente a causas sobrenaturais, é livre dos medos que assombram a vida. A educação deve fornecer ao indivíduo a capacidade de reflexão crítica, a habilidade de saber fazer perguntas e não de aceitar passivamente tudo o que lhe é dito. Essa habilidade, esse ceticismo, é um dos aspectos mais cruciais do treinamento de um cientista. Nunca se deve aceitar algo só porque foi dito por uma autoridade.

Essa atitude é exatamente oposta ao que ocorre em culturas conservadoras e repressivas. Mesmo que a ciência busque uma ordem no mundo material, sua essência é anárquica. Os grandes revolucionários da ciência, Copérnico, Galileu, Kepler, Newton, Einstein, Bohr, foram todos anárquicos a seu modo. Todos defendiam a sua liberdade de pensamento acima de tudo, recusando-se (ou quase, no caso de Galileu, sob ameaça da Inquisição) a aceitar o saber das autoridades. Para eles, ser livre é ter a coragem de pensar por si mesmo sobre os grandes problemas, na tentativa de chegar a uma verdade aceita pela maioria.

Quando penso em liberdade, penso nesses nomes, e em tantos outros -cientistas ou não- que lutaram para que hoje possamos ter a visão de mundo que temos. Se hoje somos mais livres, devemos agradecer a eles. Se há tantos longe de ser livres, é porque ainda temos muito o que fazer.
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MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro “A Harmonia do Mundo”
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Momento Presente

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Momento Presente

“Este é o teu momento de viver intensamente a realidade da vida.

Desnecessário recordar que, agora, o teu momento presente é relevante para a aquisição dos bens inestimáveis para o Espírito eterno.

Há muito desperdício de tempo, que se aplica nas considerações do passado como em torno das ansiedades do futuro.

A tomada de consciência é um trabalho de atualidade, de valorização das horas, de realização constante.

A vida é para ser vivida agora.

Postergar experiências, significa prejuízo em crescimento na economia da vida.
Antecipar ocorrências, representa precipitação de fatos que, talvez, não sucederão, conforme agora, tomam curso.

As emoções canalizadas em relação ao passado ou ao futuro dissipam ou gastam a energia vital, que deve ser utilizada na ação do momento.

Se vives recordando o passado ou ansiando pelo futuro, perdes a contribuição do presente, praticamente nada reservando para hoje.

O momento atual é a vida, que resulta das atividades pretéritas e elabora o programa do porvir.

Encoraja-te a viver hoje, sentindo cada instante e valorizando-o mediante a consciência das bênçãos que se encontram à tua disposição.

A vida é um sublime dom de Deus.

Naturalmente, quando recebes um presente de alguém, sentes o desejo irrefreável de agradecer, de louvar, de bendizer.

Desse modo, agradece a Deus, o sublime legado, que é a tua vida, por Ele concedido.

Vive, jubilosamente, hoje, sejam quais forem as circunstâncias em que se te apresente a existência.

Se o instante é de aflição, resigna-te, agindo corretamente, e estarás produzindo para o futuro que te chegará com paz.

Se o momento é de gozo, recorda-te dos padecentes à tua volta e reparte alegria, ampliando o círculo de ventura.

Quem despertou para a superior finalidade da vida, vive-a, a cada momento, vivendo-a principalmente agora”.

Joanna de Ângelis (espírito) / psicografia de Divaldo Franco
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Colaboração: Daniela Marchi – Araçatuba-SP
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SIMPÓSIO – DIGNIDADE DA VIDA

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SIMPÓSIO – DIGNIDADE DA VIDA

28 de setembro (segunda-feira)

CONFERÊNCIA DE ABERTURA – 9 HORAS

BIOÉTICA E INÍCIO DA VIDA
Presidente de Mesa
DR. RUI GERALDO CAMARGO VIANA
Advogado e Presidente da Comissão de Bioética, Biodireito e Biotecnologia.

Expositor
Pe. CHRISTIAN DE PAUL DE BARCHIFONTAINE
Reitor do Centro Universitário São Camilo; Vice-Superintendente da União Social Camiliana e do Círculo Social São Camilo do Ipiranga; Deputado do Parlamento Mundial para Segurança e Paz e Professor de Bioética.

Debatedores
DR. ALFREDO DOMINGUES BARBOSA MIGLIORE
Advogado; Mestre e Doutorando em Direito Civil pela Faculdade de Direito da USP e Membro da Comissão de Bioética, Biodireito e Biotécnologia.

DRA. MARIA BEATRIZ DE SOUZA LIMA RIZZI
Nutricionista; Mestre em Ciência dos Alimentos pela USP e Professora no Curso Técnico de Nutrição Dietética do Centro Paula Souza.

ABORTO DO FETO ANENCÉFALO – 11 HORAS

REFLEXÕES ÉTICAS E TRATAMENTO JURÍDICO
Presidente de Mesa
DR. JORGE SHIGUEMITSU FUJITA
Advogado; Doutor em Direito Civil pela USP e Professor Titular de Direito Civil dos Cursos de Graduação e Pós–graduação do Centro Universitário do FMU.

Expositor
DR. INGO WOLFGANG SARLET
Juiz de Direito no Rio Grande do Sul; Doutor e Pós–Doutor em Direito – Munique; Professor Titular da Faculdade de Direito e dos Programas de Mestrado e Doutorado em Direito e em Ciências Criminais da PUC RS e Professor da Escola de Magistratura.

Debatedor
DR. LUCIANO CUSTÓDIO TEIXEIRA
Advogado e Mestre em Direito Difusos e Coletivos pela PUC SP.

19 HORAS

EXPERIMENTAÇÃO EM EMBRIÕES: EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA E RESPEITO À VIDA
Presidente de Mesa
DRA. ANA ELIZABETH L. WANDERLEY CAVALCANTI
Advogada; Mestre e Doutora em Direito Civil pela PUC SP; Professora de Direito Civil e Biodireito nos Cursos de Graduação e Pós–Graduação nas FMU.

Expositores
DESEMBARGADOR JOSÉ RENATO NALINI
Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e Presidente da Academia Paulista de Letras.

DESEMBARGADOR ERICKSON GAVAZZA MARQUES.
Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e Professor na Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

DRA. LILIAN PIÑERO EÇA
Biomédica, PHD em Biologia Molecular e Presidente do Instituto de Pesquisas de Células Tronco.

Debatedoras
DRA. ANA CLÁUDIA SILVA SCALQUETTE
Advogada; Doutora em Direito Civil pela USP; Mestre em Direito Político e Econômico; Professora de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Membro da Comissão de Bioética, Biodireito e Biotecnologia da OAB SP.

DRA. RENATA DA ROCHA
Advogada; Doutoranda e Mestre em Filosofia do Direito e do Estado pela PUC SP; Pesquisadora do Programa Instituto Milênio do CNPQ e Professora do Curso de Especialização da PUC SP.

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29 de setembro – 9 HORAS

TRANSPLANTES DE ÓRGÃOS E TECIDOS: ENTRAVES À EFETIVAÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS
Presidente de Mesa
DR. FLÁVIO JOSÉ DANTAS DE OLIVEIRA
Médico e Advogado; Especialista em Direito Difusos e Coletivos; Mestre em Administração de Empresas; Doutor e Pós- Doutor em Medicina e Livre-Docente em Clínica Homeopática

Expositora DRA. DAISY GOGLIANO
Advogada; Professora Doutora da Faculdade de Direito USP e Professora do Curso de Especialização do CEPEDISA – Lato Sensu.

DR. JOSÉ OSMAR PESTANA MEDINA
Médico; Doutor Livre-Docente e Professor Titular de Nefrologia da Universidade Federal de São Paulo.

Debatedores
DR. ANTÔNIO ELIAN LAWAND JÚNIOR
Advogado e Mestre em Direito Ambiental pela Universidade Católica de Santos.

DR. ANTÔNIO ABEL PAUPERIO
Advogado e Médico; Mestrando na Sociedade da Informação nas FMU; Coordenador do Curso Direito e Médico das FMU e Palestrante de Direito Médico e Biodireito.

19 HORAS

IDENTIDADE SEXUAL: VISÃO MÉDICA E JURÍDICA
Presidente de Mesa
DRA. CLARISSA FERREIRA MACEDO D’ISEP
Advogada; Doutora em Direito pela Université de Limonges – França e PUC SP.

Expositores
DESEMBARGADOR HENRIQUE NELSON CALANDRA
Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e Presidente da Associação Paulista de Magistrados.

DR. CLAUDIO COHEN
Professor Associado da FMUSP em Bioética e Bioética Clínica e Presidente da Comissão de Bioética do Hospital das Clínicas da FMUSP. Debatedores

DR. RICARDO ALGARVE GREGORIO
Advogado; Mestre em Direito Civil pela FADUSP e Professor Titular de Direito Civil nas FMU.

DRA. ADRIANA CALDAS DO REGO FREITAS DABUS MALUF
Advogada; Nutricionista; Mestre e Doutoranda em Direito Civil pela USP.

30 de setembro (quarta-feira) – 9 HORAS

DIGNIDADE AO FINAL DA VIDA: DIREITO À ESCOLHA?
Presidente de Mesa
DR. PAULO CÁSSIO NICOLELLIS
Advogado; Especialista em Direito Processual Civil e Mestre em Direito Civil pela PUC SP e Vice-Presidente da Comissão de Bioética, Biodireito e Biotecnologia da OAB SP.

Expositores
Pe. LEO PESSINI
Mestre e Doutor em Teologia Moral /Bioética pela Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção em São Paulo e Vice-Reitor do Centro Universitário São Camilo em São Paulo e em Cachoeira do Itapemirim no Espírito Santo.

DR. REINALDO AYER DE OLIVEIRA
Docente em Bioética da Faculdade de Medicina da USP e Coordenador da Câmara Técnica de Bioética do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.

RABINO RUBEN STERNSCHEIN
Rabino Integrante do Rabinato da Congregação Israelita Paulista; Bacharel em Educação e Mestre em Filosofia Judaica pela Universidade Hebraica de Jerusalém.

Debatedores
DRA. CÍNTIA ROSA PEREIRA DE LIMA
Advogada; Doutora em Direito Civil pela USP; com bolsa CAPES ( Doutorado sanduíche) na Universidade Ottawa – Canadá e Secretária da Comissão de Bioética, Biodireito e Biotecnologia da OAB SP.

DR. GILBERTO BERGSTEIN
Advogado; Especialista em Responsabilidade Civil pela GVlaw; Doutorando em Direito Civil pela USP e Membro da Comissão de Bioética, Biodireito e Biotecnologia da OAB SP.

No encerramento haverá o lançamento da Obra Coletiva “Dignidade da Vida “– LTR Editora Homenagem ao Professor Rui Geraldo Camargo Viana

Inscrições / Informações
Mediante a doação de uma lata ou pacotes de leite integral
em pó – 400g, para cada dia, no ato da inscrição.
Praça da Sé, 385 – Térreo – Atendimento ou pelo site: http://www.oabsp.org.br

Promoção
Comissão de Bioética, Biodireito e Biotecnologia da OAB SP.

Apoio
Departamento de Cultura e Eventos da OAB SP
Dr. Umberto Luiz Borges D’Urso

***Serão conferidos certificados de participação — retirar em até 90 dias***
*** Vagas limitadas ***

Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso
Presidente da OAB SP
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Data / Horário: 28, 29 e 30 de setembro
Local: Auditório XI de Agosto da Faculdade de Direito – USP
Largo São Francisco, 95 – Centro
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Colaboração:
Luciano de Almeida Peruci
São Paulo-SP
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