Mãe Zimá – Umbanda

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Mãe Zimá

Por Revista RAIZ.
02 de Maio de 2007
Por Bárbara Matte

“Eu me sinto realizada dentro da minha casa”. A conversa ao telefone com a mãe Zimá não escondia que os olhos daquela experiente mãe-de-santo brilhavam enquanto ela falava de sua maior paixão: a umbanda, sua religião. Nascida em 03 de abril de 1947, em Fortaleza, CE, Mãe Zimá completou 60 anos de idade e 46 de Santo esse ano. Foram 46 anos dedicados integralmente aos orixás e à manutenção da cultura afro descendente no Estado.

O contato com Mãe Zimá aconteceu numa tarde de terça-feira, um dia após a comemoração do dia de São Jorge (Ogum, no sincronismo com a umbanda). Com isso na cabeça, iniciei logo as perguntas que havia preparado esperando a hora certa para tocar no assunto (elas poderiam render muito). No entanto, quanto mais ela falava, percebia que as perguntas pautadas ficariam em segundo plano. Ela logo começou a contar da grande adoração que sentia pela sua religião. “A minha dedicação ao santo é total; desde o momento em que eu acordo até quando vou dormir”.

Foi aos treze anos que Mãe Zimã fez sua primeira passagem para Aruanda (recebeu um Orixá). O fato causou grande estranhamento na família, que era de fé cristã. Desde então, ajudada pelo pai-de-santo Zé Alberto do terreiro “Rei do Cangaço”, Zimá começou a trilhar o seu caminho dentro da umbanda. “Eu acredito muito no que faço”, disse ela com firmeza.

Íamos conversando assuntos em comum ligados à religião quando perguntei a respeito de suas viagens dentro e fora do Brasil. “Fui à Viena, França levar meus conhecimentos. Tenho clientes fora e dentro do país. Trago conhecimento de todos os lugares que visito”. “No Brasil, atendo pessoas no Rio, em Brasília. Sabia que em Brasília tem bastante terreiro?”, disse ela surpresa.

Depois da morte de seu pai-de-santo, há treze anos, Mãe Zimá fundou seu próprio terreiro, o Ogum Mêjê, dedicado a um de seus orixás, Ogum. Aproveitei então para comentar “Ontem, foi dia de Ogum, né?”. E ela disse “Foi. Eu subi a serra cedinho pra colocar as coisas pra ele e agradecer por tudo. Ogum é minha vida”.

Ainda no telefone, Mãe Zimá começou a falar sobre os freqüentadores do terreiro. “Tem dia que eu tenho vontade de me esconder de tanta gente que aparece”, disse ela brincando de novo aludindo a grande popularidade de seu terreiro. “É bom ajudar. É muito bom ajudar e ser ajudado”. Quando fundou o Ogum Mêjê, não havia nada na região a não ser “lama, mato e buraco”, como ela mesma disse. A construção do terreiro acabou melhorando a infra-estrutura do local na medida em que se conseguia calçamento, rede de esgoto.

“Eu te convido a vir aqui no meu terreiro. E muito axé, muito axé.” Falou antes de desligarmos os telefones com a genuína sinceridade de quem tem as portas de casa aberta e muita paixão pelo que faz.

Serviço:
O terreiro de Mãe Zimá fica na Rua José Mauricio, 800 – Parque São Vicente, Fortaleza- CE
Maiores informações pelo telefone (85) 3101 2566 com Clébio Ribeiro ou pelo e-mail clebioviriatoribeiro@yahoo.com.br
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Fonte:
http://revistaraiz.uol.com.br/portal/
http://revistaraiz.uol.com.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=490&Itemid=190
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Se

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Se

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti, quando estão todos duvidando
E para estes, no entanto, achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires;
De sonhar -sem fazer dos sonhos teus senhores;
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires
Tratar da mesma forma esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas porque deste vida, estralhaçadas,
E refazê-las com bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder, e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração; nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
Resta a vontade em ti, que ainda ordena: persiste!

Se és capaz de, entre a plebe; não te corromperes,
E, entre reis, não perder a naturalidade;
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade;
E se és capaz de dar, segundo por segundo
Ao minuto fatal todo valor e brilho:
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E -o que ainda é muito mais- és um Homem, meu filho!

Rudyard Kipling

Tradução: Guilherme de Almeida

Poema “If”, de JOSEPH RUDVARD KlPlING (1865-1936), escritor e poeta britânico.
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