52 Apocalipse II

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O relatório do apocalipse

Autor: Clóvis Rossi – crossi@uol.com.br
Mídia: Jornal Folha de São Paulo – 27dez06 – pág.A2

SÃO PAULO – O jornal espanhol “El País” antecipou ontem relatório da ONU sobre mudança climática, elaborado por 2.500 especialistas ao longo de cinco anos.

É, certamente, a mais perfeita descrição de um apocalipse iminente. Alguns dados:

1 – A concentração na atmosfera de gases do chamado efeito estufa (que provoca aumento da temperatura) é a maior em 650 mil anos.
2 – Seis dos sete anos mais quentes de que há registro ocorreram a partir de 2001, ou seja, neste século.
3 – O hemisfério Norte perdeu 5% de neve desde 1966.
4 – Nos últimos 45 anos, o mar sobe 0,8 milímetros ao ano.

O relatório avisa que parte do aquecimento global já é irreversível e seus efeitos durarão séculos. Mas o apocalipse ainda pode ser evitado, desde que haja ação e que ela seja imediata.

O que choca, mais até que os dados alarmantes, é a passividade da comunidade internacional. Para o meu gosto, os sinais de alarme até dispensam informes como o da ONU. Basta ler nos jornais, a intervalos regulares e cada vez menores, que a inundação em tal ou qual país foi a maior em 100 anos ou que as temperaturas na região xis são as mais elevadas em séculos, para desconfiar que algo está fora de lugar -e muito fora de lugar.

Mesmo assim, o mundo preferiu, primeiro, ficar discutindo se o aquecimento global era real ou apenas terrorismo de ambientalistas tresloucados. Agora que parece haver consenso generalizado sobre o fenômeno, não há respostas nem rápidas nem eficazes, em parte porque o país que mais emite gases do efeito estufa (os EUA) hesitam em tomar medidas por causa das conseqüências sobre o nível de atividade econômica.

Resta torcer para que o relatório da ONU, quando for oficialmente divulgado, não tenha o mesmo efeito efêmero do filme sobre o tema do ex-vice-presidente Al Gore.
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Nossas vítimas

Autor: Jóse Alberto Marcondes Machado – Carapicuíba-SP

“No artigo “O relatório do apocalipse” (Opinião, pág. A2, 27/12) Clóvis Rossi diz : “O que choca, mais até que os dados alarmantes, é a passividade da comunidade internacional”.

A humanidade, ao longo da história, acumulou um longo registro de feitos vergonhosos. Nesse currículo infame, alguns marcos conseguem destaque: os navios negreiros, com sua carga humana agonizando amontoada em porões imundos; o Holocausto, com milhões de seres humanos indefesos sendo assassinados com frieza insana.

Como foi possível que tais coisas acontecessem?
Como se permitiu isso?

Pois estou certo de que o que estamos fazendo com o planeta se somará a esses crimes. Nossos descendentes pensarão em nós com o mesmo horror e vergonha.
Com a circunstância agravante e terrível de que serão eles as nossas vítimas.”
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52 Apocalipse I

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Apocalipse I

Se depender do Sol, o ser humano poderá habitar a Terra por mais uns 4,5 bilhões de anos. Acontece, entretanto, que a Terra orbita o Sol em uma região por onde frequentemente passam cometas e asteróides; alguns deles com tamanhos suficientes para, em uma colisão com nosso planeta, provocar o fim da vida humana.

Em todos os corpos do sistema solar encontramos marcas deixadas por colisões com outros corpos. Em nosso próprio planeta encontramos inúmeras crateras oriundas dessas colisões. A extinção dos dinossauros, por exemplo, é creditada à colisão de um asteróide com a Terra, há 65 milhões de anos, na região do golfo do México. Essa colisão teria levantado uma nuvem de poeira tão grande que, durante centenas de anos, mudou o clima de nosso planeta, levando os dinossauros gradativamente à extinção.

Calcula-se que existam cerca de 2.000 cometas e asteróides, cujas órbitas cruzam a órbita da Terra e são assim possíveis de colidir com nosso planeta.

Desses, 200 são conhecidos e constantemente monitorados. Nenhum corpo conhecido, de grandes proporções, colidirá com a Terra, pelo menos nos próximos 120 anos. Resta, contudo, a possiblidade de descobrirmos, qualquer dia, um grande cometa ou asteróide em rota de colisão com a Terra para daqui, digamos, 20 anos. Essa possibilidade, embora muito pequena, existe e deve ser considerada.
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Fonte:
http://www.observatorio.ufmg.br/pas13.htm
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