52 Ateísmo (menos) radical

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Ateísmo (menos) radical

Marcelo Gleiser

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Sou um desses ateus liberais; o sobrenatural não faz sentido
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Aos leitores que porventura estranharem o título desta coluna, explico: semana passada escrevi sobre o ateísmo radical de, entre outros, Richard Dawkins, o biólogo e divulgador de ciência inglês que publicou livros importantíssimos como “O Gene Egoísta” e “O Relojoeiro Cego”. Raramente abordo o mesmo tema duas vezes seguidas. Porém, recebi tantas mensagens de leitores a favor e contra que optei por fazê-lo.

Antes, um breve resumo do que disse. Critiquei a postura de Dawkins, a quem admiro muito, por achá-la intolerante e radical. Dawkins essencialmente nega a religião, considerando-a uma crendice absurda, que escraviza as pessoas. Ele não é o primeiro a afirmar isso. Lucrécio, poeta romano que viveu um pouco antes de Jesus Cristo, escreveu: “As pessoas vivem aterrorizadas porque não compreendem as causas das coisas que acontecem na terra e no céu, atribuindo-as cegamente aos caprichos de algum deus”.

A razão, leia-se ciência, é a luz que ilumina o obscurantismo da fé.
A maioria das mensagens que recebi defendem a postura de Dawkins. Guerra é guerra, e a religião está em guerra contra a ciência. Intolerância tem de ser enfrentada com intolerância. Em uma delas, Sam Harris, outro autor que defende uma postura anti-religiosa radical, é citado: “a religião bate sem dó e quer ser tratada com luvas de pelica”.

Eu sou um desses ateus liberais que Dawkins critica. Para mim, não há absolutamente nenhuma dúvida de que o sobrenatural é completamente incompatível com uma visão científica do mundo, visão que costumo defender arduamente.

Conforme escrevi em várias ocasiões, o sobrenatural não faz qualquer sentido: se algo ocorre, seja lá o que for, desde uma erupção vulcânica a um suposto “milagre”, esse algo passa a ser um fenômeno natural e, como tal, regido pelas leis da natureza. Quando as causas ainda não são conhecidas, o dito fenômeno ganha um ar de mistério, criando espaço para o obscurantismo. Mas o fato de elas não serem conhecidas não implica que devam ser atribuídas a causas sobrenaturais: o que a ciência (ainda) não explica não deve ser atribuído a seres divinos cujas ações estão além da razão.

A natureza é sutil; a elucidação dos seus mecanismos leva tempo e requer muita criatividade. O terror a que Lucrécio se refere vem da insegurança causada pela submissão ao desconhecido: tememos o que não conhecemos. Numa era científica, esse terror não deveria existir.

Se sou ateu; se fico transtornado quando vejo a infiltração de grupos religiosos extremistas nas escolas, querendo mudar o currículo, tratando a ciência em pé de igualdade com a Bíblia; se concordo que o extremismo religioso é um dos grandes males do mundo; se batalho contra a disseminação de crenças anticientíficas absurdas como o design inteligente e o criacionismo na mídia; por que, então, critico o ateísmo radical de Dawkins?

Porque não acredito em extremismos e intolerância. Porque não vejo o radicalismo criar amigos ou novos aderentes, apenas mais inimigos e ódio. Porque o extremismo é o pior dos diplomatas. Sei bem do preconceito contra os ateus, preconceito que vem da crença absurda (popular em alguns países, como os EUA) de que só as pessoas religiosas podem ser morais. É essa crença ignorante que deve ser combatida; ninguém precisa acreditar na Bíblia para saber que matar é errado, se bem que esses ensinamentos são esquecidos na brutalidade selvagem das guerras religiosas que pontuam a história. É a hipocrisia usada sob a bandeira da fé que deve ser combatida, não a fé em si.

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MARCELO GLEISER é professor de física teórica do Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro “A Harmonia do Mundo”
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Fonte: Jornal Folha de São Paulo, Caderno Mais, página 9, 03dez06
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52 Os Magnos Ensinamentos

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O Evangelho Segundo o Espiritismo

Capítulo 01 – não vim destruir a lei
Capítulo 02 – meu reino não é deste mundo
Capítulo 03 – há muitas moradas na casa de meu pai
Capítulo 04 – ninguém poderá ver o reino de deus se não nascer de novo
Capítulo 05 – bem-aventurados os aflitos
Capítulo 06 – o cristo consolador
Capítulo 07 – bem-aventurados os pobres de espírito
Capítulo 08 – bem-aventurados os que têm puro o coração
Capítulo 09 – bem-aventurados os que são brandos e pacíficos
Capítulo 10 – bem-aventurados os que são misericordiosos
Capítulo 11 – amar o próximo como a si mesmo
Capítulo 12 – amai os vossos inimigos
Capítulo 13 – não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita
Capítulo 14 – honrai a vosso pai e a vossa mãe
Capítulo 15 – fora da caridade não há salvação
Capítulo 16 – não se pode servir a deus e a mamon
Capítulo 17 – sede perfeitos
Capítulo 18 – muitos os chamados, poucos os escolhidos
Capítulo 19 – a fé transporta montanhas
Capítulo 20 – os trabalhadores da última hora
Capítulo 21 – haverá falsos cristos e falsos profetas
Capítulo 22 – não separeis o que deus juntou
Capítulo 23 – estranha moral
Capítulo 24 – não ponhais a candeia debaixo do alqueire
Capítulo 25 – buscai e achareis
Capítulo 26 – dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes
Capítulo 27 – pedi e obtereis
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52 Os 10 Mandamentos

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Os 10 Mandamentos

Na lei moisaica, há duas partes distintas: a lei de Deus, promulgada no monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, decretada por Moisés. Uma é invariável; a outra, apropriada aos costumes e ao caráter do povo, se modifica com o tempo. A lei de Deus está formulada nos dez mandamentos seguintes:

 I. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei do Egito, da casa da servidão. Não tereis, diante de mim, outros deuses estrangeiros. – Não fareis imagem esculpida, nem figura alguma do que está em cima do céu, nem embaixo na Terra, nem do que quer que esteja nas águas sob a terra. Não os adorareis e não lhes prestareis culto soberano.

 II. Não pronunciareis em vão o nome do Senhor, vosso Deus.

 III. Lembrai-vos de santificar o dia do sábado.

 IV. Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará.

 V. Não mateis.

 VI. Não cometais adultério.

 VII. Não roubeis.

 VIII. Não presteis testemunho falso contra o vosso próximo.

 IX. Não desejeis a mulher do vosso próximo.

 X. Não cobiceis a casa do vosso próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu asno, nem qualquer das coisas que lhe pertençam.
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Livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo
Capítulo I
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