52 O Homem Profano

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O Homem Profano

O homem profano é aquele imerso nos erros e na mediocridade material, irremediavelmente submetido aos sete pecados capitais. Entretanto estes erros classificados como orgulho, inveja, ira, preguiça avareza, gula e luxuria não dizem respeito necessariamente as coisas terrenais.

Os sete pecados capitais:

Orgulho:
O Orgulho ou soberba é o primeiro vício capital, causa primeira de todos os nossos males espirituais. Por esse vício atribuímos a nós mesmos, ao nosso próprio ser, a causa do bem existente em nós. Pela soberba deixamos de reconhecer a Deus como fonte de todo o bem. Ao fazer isso, o homem deixa de amar o Bem em si mesmo, para amar o bem enquanto existe nele próprio, porque existe nele. Dessa forma, o homem rompe a sua união com a fonte do bem. Condenando a maldade do orgulho.
E assim é que o homem soberbo, aproveitando-se do bem que O Cósmico lhe deu graciosamente, atribui-se uma honra que só cabe a seu Criador. O soberbo rouba a glória do Cósmico, e fazendo isso desencadeia sobre si todos os males. O Orgulho, portanto, nos despoja da própria Criação Universal.

Inveja:
O Orgulho gera sempre a inveja do bem que O Cósmico concedeu a outrem. Desse modo, ela nos separa e despoja de nossos irmãos, assim como a soberba nos despojara e separara do Cósmico, Criador de todas as coisas. E isso é bem justo, porque assim como o soberbo se delicia desregradamente com a doçura de possuir o bem, agora ele se amargura ao ver o bem no outro.
Quanto mais o homem soberbo se vangloria de seu bem, mais ele se atormenta com o bem nos outros. A inveja rói o soberbo e amarga a sua vida.
Se o homem soberbo amasse corretamente o bem que lhe foi dado em grau limitado, ele amaria sem limite a fonte de todo o bem, que o possui infinitamente. Amando então o Bem em si mesmo, ele amaria o bem que visse em qualquer outro homem e se alegraria com a virtude alheia, porque amaria O Cósmico no outro.

Ira:
A soberba despoja o homem de Deus. A inveja o separa e despoja dos demais homens. A Ira o despoja de si mesmo, fazendo-o perder o controle e o domínio do próprio ser. Porque o Irado tem raiva do Cósmico, que acusa de repartir injustamente seus bens, e se enraivece contra si mesmo, porque vê que não possui todo o bem e percebe seus defeitos e limitações.
A Ira leva então o homem a ter raiva do Cósmico, dos outros e, enfim, de si mesmo. Com raiva de si mesmo, o homem, doente pelo vício da Ira, começa a detestar até o bem que tem em si.

Preguiça:
Talvez seja este o mais acionado de todos os vícios, e também considerado o mais comum, já foi até “incorporado” a natureza humana. De nada adianta o Rosacruz ter um coração puro e a mente limpa se na hora de trabalhar pela senda, ele “deixa para amanhã”, sempre acha que o outro tem mais “jeito” do que ele. O Buscador deve dar o exemplo através da atitude, e a Ordem não combina com inércia. Existe um ditado que diz o seguinte: “É mais covarde aquele que nada faz do que aquele que faz o mal”. Então na próxima vez que vocês tiverem preguiça de ir a uma convocação ritualística, lembrem-se vocês estão fazendo mais mal que o próprio mal.

Avareza:
Também muito comum este vício. Quem tem alguma coisa dificilmente quer compartilha-lo. Opõe-se a prosperidade, que por natureza é formada de caridade. Um exemplo claro do que eu digo é aquele Frater ou Sóror que vive rogando auxilio Cósmico para si, mas na hora de retribuir com a aplicação da Lei de AMRA, o que ele deposita na caixinha é uma moeda que ele próprio não se curvaria para pegar no chão. O Organismo Afiliado que deseja bem aventurança e não pratica a Lei de AMRA está bloqueando a sua própria energia, pois quem prega a caridade e a recebe tem a obrigação de dividir o que tem com quem tem menos. O avarento impede o fluxo da energia da prosperidade, pois muito requisita pra si, mas nada dá em troca.

Gula:
A gula é conhecida por todos como o ato de comer demais. Mais do que é necessário ao organismo. Mas a gula, não deve ser associada apenas a comida, a gula faz parte de todos os aspectos da vida. Geralmente vemos mais pessoas “gulosas” por poder, fama e dinheiro do que por comida. A gula então faz frente ao desprendimento. Quero deixar claro que quando digo desprendimento não quero dizer desprovimento. Uma pessoa não precisa ser desprovida para ser desprendida. Tem muita gente com muito dinheiro e com grande desprendimento. O que quero dizer é que a pessoas deve sempre buscar “comer” aquilo que precisa, aquilo que pode e consegue administrar, para que não tenha uma congestão. Estar ciente disto é fator importante para que as pessoas não desperdicem tempo demais de suas vidas correndo atrás daquilo que talvez percam rápido se não estiverem preparadas para receber, e também para começar a estabelecer prioridades em sua vida.

Luxúria:
Este vício está relacionado com a freqüência e diversidade sexuais das pessoas, Mas a luxúria deve ser relacionada à corrupção tanto física quanto espiritual, ela faz frente à lealdade, pois o luxurioso trai sua mente em prol de seus desejos, vende a alma para poder conquistar seus objetivos, vende seus pensamentos, seus atos, sua lealdade, sua fraternidade para conquistar glória e poder. Ceder à luxúria é não ter firmeza de caráter, é não dominar suas paixões.
Além do homem profano ser orgulhoso, Invejoso, Irado, Preguiçoso, pão duro, guloso e depravado! Ele acumula mais pecados ?
Segundo Gandhi há mais que sete pecados capitais ele aponta outros erros comuns aos homens e sua sociedade:

*) A política sem princípios
*) O comércio sem moralidade
*) A Riqueza sem trabalho
*) A religião sem sacrifício
*) A ciência sem humanidade
*) O conhecimento sem caráter

Em maior ou menor escala todos temos dentro de nós um ou outro pecado, uma ou outra fonte de desarmonia. Resta então saber como combater estas influências tão perniciosas, ou pelo menos como minimizar seus efeitos negativos no amadurecimento espiritual que os buscadores sinceros tanto procuram.

O caminho do equilíbrio é a senda da esperança, a transformação interior é o porto seguro a mutação do homem profano para o Homem Espiritual começa pela invocação sincera dos atributos elevados da natureza humana e do desejo humilde de seguir os caminhos do Reconciliador.

Tomemos como modelo a oração que o Reparador nos ensinou, é ela que conscientemente irá nos indicar a conduta correta, o caminho seguro e o equilíbrio tão desejado.

Contra o Orgulho:
“Pai nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome”
A primeira petição do Pai Nosso suplica que Deus nos conceda a graça de reconhecê-Lo sempre como a fonte de todo o bem, isto é, que Deus seja glorificado como causa de todo bem existente em nós e em todas as suas criaturas.
O riacho deve ser grato à fonte que o alimenta. O raio de luz deve reconhecer o Sol como causa de seu brilho. Só assim continuarão a correr e a iluminar.
Na primeira petição da oração que nos foi ensinada pela própria Sabedoria encarnada, rogamos que O Cósmico nos conceda a compreensão e o reconhecimento de Sua excelência e transcendência, e que assim, sejamos humildes e curemos a enfermidade da nossa Soberba nosso orgulho.

Contra a Inveja:
“Venha a nós o vosso reino”.
Foi para combater o segundo vício capital
que o Divino Mestre nos ensinou a pedir, em segundo lugar no Pai Nosso, “.
Porque a paz profunda domina o homem quando este está unido pela fé e pela caridade, a fim de que, na eternidade, esteja para sempre unido ao Cósmico.
Quando pedimos ao Deus de nosso coração que Ele reine em todas as almas, Ele nos concede o dom da piedade, que nos torna benignos, desejando também para os outros o bem que desejamos para nós mesmos.
A inveja, por sua vez, gera em nós uma nova doença. Tal como o orgulho nos persuadira de que somos a causa do bem que temos, e a inveja nos causa a tristeza de ver o bem nos outros, em seguida a inveja nos leva a considerar que Deus é injusto ao dar o bem – que pretendíamos fosse apenas nosso – a nosso irmão.

Contra a Ira:
“Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”.
Esta é a terceira petição do Pai Nosso é a conformação com a vontade de Deus que nos permite vencer o vício da Ira. Quando pedimos sinceramente ao Cósmico que nos ajude a encontrar a paz interior, Ele nos concede então o dom da Ciência, através do qual somos instruídos e compreendemos que os males que nos advém são decorrências da busca do equilíbrio e da aplicação da lei das diversidades. Compreendemos que devemos aceitá-los com paciência e não com revolta. E compreendemos ainda que os bens alheios são fruto da generosa misericórdia e justiça Divina, a qual visa sempre a sua maior glória e também o nosso maior bem.
O Irado, pelo contrário, não tendo o dom da Ciência, não reconhece que mereceu a justa compensação e se revolta. Caindo nesta terceira enfermidade, a da Ira, o homem já não possui então, em si, nenhum motivo de alegria nem de consolação. Como não quis tirar do bem alheio a alegria, o invejoso caiu na tristeza e no auto-suplício da ira, que o flagela depois que foi despojado do Amor Cósmico, do próximo e de si mesmo.
Não encontrando mais em si nem alegria nem consolação, o homem colérico cai na tristeza.

Contra a Preguiça:
“O pão nosso de cada dia nos dai hoje”.
Isto é, que O poder Cósmico nos conceda a graça e a força necessárias para cumprirmos os nossos deveres de cada dia. Que O Altíssimo nos dê suas graças e força para cumprirmos os deveres que elas nos acarretam. E esta força de atuar é que traz ao homem a alegria do dever cumprido.
Com “o pão nosso de cada dia”, o que pedimos, então, é o dom da Fortaleza, o qual nos dá força e paciência para enfrentar as dificuldades, trabalhos e cruzes de nossa vida de cada dia. É o dom da Fortaleza que produz em nossa alma a fome e a sede de justiça de que necessitamos para ir ao céu.
Na quarta petição pedimos, portanto, a fome de justiça e o pão que a sacia.

Contra a Avareza:
“Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores”.
Para podermos combater essa miséria e essa quinta doença da alma, O Salvador nos mandou que pedíssemos para perdoar. Pois é bem justo que quem não é avarento no que lhe é devido não seja também inquietado pelo que deve. O misericordioso com os seus devedores alcançará misericórdia para si. E quando pedimos a Deus o perdão de nossas dívidas, no mesmo grau em que estamos dispostos a perdoar o que se nos deve, o que pedimos e recebemos é o dom do Conselho.
Por esse atributo Cósmico como sabemos no dá força para exercer de bom coração a misericórdia para com quem nos ofende, e do modo mais conveniente, e na hora oportuna, para lhes fazer bem em troca do mal que nos deram.

Contra a Gula:
“Não nos deixeis cair em tentação”.
Para combater este sexto e tão baixo mal O Redentor nos ensina a pedir para que sejamos equilibrados.
Note-se que não se pede para não ter a tentação da gula. Visto que é necessário que o homem coma, todo homem estará exposto à tentação do comer desregradamente. A gula explora o apetite natural de subsistência, levando-nos ao excesso. A pretexto de necessidade, a gula nos induz a comer irracionalmente.
Por isso, para combatê-la, pedimos a Deus, na sexta petição do Pai Nosso, que nos conceda o dom da Inteligência. Porque é o apetite da palavra de Deus de nosso coração que contém o homem na justa medida do apetite do pão material, pois “nem só de pão vive o homem”. Mas só entende isso quem tem o espírito de Inteligência, que faz compreender a superioridade dos bens espirituais sobre os materiais, fazendo o homem vencer a gula pelo jejum e abstinência, e a avareza acumuladora pela confiança na Providência.
É o espírito de Inteligência que clarifica a visão interior do homem pelo conhecimento da palavra de Deus, que age como um colírio no olho da sabedoria.

Finalmente contra a Luxuria:
“Livrai-nos do mal”
É bem natural que o homem escravizado suspire e implore por sua liberdade. E a sétima petição do Pai Nosso nos implora que o Deus de nosso coração, o Cósmico de Sabedoria, nos torne realmente homens livres.
Ora, a palavra sabedoria tem a mesma raiz de sabor. Movida pela graça e sentindo o gosto da Sabedoria, a alma se liberta da escravidão dos prazeres materiais e pode, enfim, alçar vôo para contemplar a Deus.
Portanto, é a doçura interior e espiritual que dá ao homem a força de vencer a volúpia mentirosa dos sentidos.
Quando repetimos esta oração de forma consciente, com religiosidade ou não, mas com o fervor da Alma estamos realizando uma teurgia, um pedido de intervenção, uma auto conscientização para que nos tornemos Homens de Desejos puros e não homens levados pelas torrentes das vaidades, dos vícios e do ego.
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Hermanubis Martinista http://www.hermanubis.com.br/
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Colaboração: Ir.´. Afonso Hochreiter – São Paulo-SP – Brasil
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